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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
TV e Religião: em nome de Deus?
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Por favor céticos e crentes, parem de encher o saco uns dos outros. Obrigado.
Pimenta nos Olhos dos Outros, Ateísmo e Religião
A campanha que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) vem promovendo, em ônibus, nos grandes centros urbanos do país merece alguns comentários. Aplaudo a ideia de combater o preconceito contra ateus e agnósticos, aliás, como aplaudo qualquer evolução no sentido da mais ampla liberdade religiosa, o que inclui o direito de crença e o de não crença.
Contudo, a ideia, que é boa, foi muito mal executada. A ATEA conseguiu repetir os erros mais comuns dos maus religiosos.
Um banner da campanha afirma: "Religião não define caráter"; coloca a foto de Chaplin acompanhada da frase: "Não acredita em Deus", e a de Hitler, com a frase: "Acredita em Deus". Lamentável a parcialidade tão criticada nos religiosos ser repetida de forma tão grosseira. Por que não se colocou junto de Chaplin, um bom homem, a de Pol Pot, Stalin ou Mao Tse Tung, reconhecidos assassinos de milhões e que eram ateus? Teria sido mais honesto, mas optou-se apenas por mostrar um bom ateu. E quanto a Hitler? Por que não se colocou ao lado dos teístas, Madre Teresa? Ou o muçulmano Saladino, que respeitou igrejas cristãs e sinagogas mesmo após todas as crueldades que outras religiões cometeram contra as mesquitas? Ou o hindu Gandhi? A campanha teria sido muito mais feliz se mostrasse que em todas as crenças, ou mesmo sem elas, temos boas e más pessoas. Isso teria sido mágico.
Não é atacando o teísmo que alguém irá conseguir o respeito para o ateísmo, ao contrário. A reclamação da ATEA de que alguns veículos se recusaram a veicular as campanhas, ignora o fato de que as razões da recusa podem não ter sido o preconceito contra os ateus, que é errado, mas a recusa em se fazer uma campanha que se mostrou parcial e deselegante. As frases e ideias escolhidas são tão preconceituosas que parece que a defesa é a de que "preconceito ruim é só aquele que nos atinge".
Não sei de onde saiu a frase: "A fé não dá respostas, só impede perguntas." Apenas um grande desconhecimento da religião dos outros pode dizer que a fé impede perguntas. Ao menos na minha, desde os profetas até o próprio Jesus, as perguntas são livres, e muitas, e incentivadas. E dizer que a fé não dá respostas também é preconceituoso: se as respostas não agradam a alguns nem por isso deixam de ser respostas para aqueles que, como eu, ficaram satisfeitos com elas. Mais que isso, traz a foto de uma pessoa encarcerada, como se todos os que tivessem fé fossem encarcerados... o que realça a postura arrogante, comum a muitos ateus e teístas: a de que apenas o que eles mesmos creem ou deixam de crer é a verdade. Por fim, mostra desconhecer (ou querer ignorar) quantos foram os encarcerados que saíram da vida de crimes pela intervenção dos movimentos religiosos dos mais variados matizes. As grandes universidades de hoje começaram, anote-se, de movimentos religiosos. Dizer que não temos respostas e que impedimos as perguntas é, no mínimo, falta de informação. Não crer nas respostas da fé é uma coisa, dizer que elas não existem é outra.
A foto do ataque de 11 de Setembro ao lado da frase: "Se Deus existe tudo é permitido" é desonesta. Primeiro, pois escolhe dentro do islamismo uma linha que o próprio islamismo, em grande parte, critica. Em suma, a ATEA escolheu o que a religião tem de pior para falar mal da religião. Ao invés de ir contra o preconceito, repetiu-o.
A citação da frase: "Se Deus existe tudo é permitido" me pareceu, no mínimo, deselegante, pois é exatamente o contrário da conclusão a que se pode chegar do que Dostoievski escreveu no romance Os Irmãos Karamázov: "Se Deus não existe, tudo é permitido". Ou estamos diante de desconhecimento ou de um aproveitamento de frase com a inversão do seu sentido, o que seria, no caso, o pior dos plágios.
Enfim, preconceito, desconhecimento, arrogância, uso invertido de frase conhecida e parcialidade, para não ir muito longe. Conheço amigos ateus que devem ter se sentido muito mal representados por esta campanha, assim como me sinto muito mal representado, na qualidade de quem acredita em Deus, por Hitler e por terroristas (escolha feita pela ATEA para criticar o preconceito).
Uma pena que, ao invés do alto nível intelectual e pluralista de tantos ateus que eu conheço, a campanha, tão boa em seu propósito, tenha sido desastrosa na sua execução, como se o seu fim fosse dizer: "Aceitem-nos! Nós conseguimos ser tão preconceituosos e agressivos quanto vocês". O lamentável é que a campanha ignorou bons exemplos de tolerância, esclarecimento e educação, tanto no ateísmo quanto na religião.
William Douglas é Professor, juiz federal/RJ e escritor. Mestre em Direito/UGF, especialista em Políticas Públicas e Governo - EPPG/UFRJ, http://www.williamdouglas.com.br
domingo, 9 de janeiro de 2011
Religião do Consumo
publicidade do mundo, divulgou a lista das dez grifes mais reconhecidas por 45.444 jovens e adultos de 19 países. São elas: Coca-Cola (35 milhões de unidades vendidas a cada hora), Disney, Nike, BMW, Porsche, Mercedes-Benz, Adidas, Rolls-Royce, Calvin Klein e Rolex. segunda-feira, 29 de março de 2010
Religião e Espiritualidade - Por Frei Betto
À primeira vista, a espiritualidade opõe-se à materialidade. E o espírito se opõe ao corpo. Mas esse dualismo platônico já está maisque superado, tanto pela ciência quanto pela teologia. Somos todos e tudo uma unidade.
A espiritualidade prescinde das religiões, pode ser vivida sem elas, e há também religiões desprovidas de qualquer espiritualidade, asfixiadas pelo peso do doutrinarismo autoritário.
Hoje, o que está em crise não é a espiritualidade. São as formas tradicionais de religião. Nesse mundo secularizado, desencantado, os valores são substituídos pelas ciências; o ser pelo ter; o ideal pelo desejo; o altruísmo pelo consumismo. Assim, a religião reflui para a vida privada e os locais de culto. E deixa de influir na vida social.
A crise da Cristandade, no Renascimento, não significou a crise do Cristianismo. Da mesma maneira, a crise que atinge as religiões não pode ser confundida com a da espiritualidade. Agora nos deparamos com uma espiritualidade pós-religiosa, centrada na autonomia do indivíduo.
O que caracteriza essa espiritualidade pós-moderna é, de um lado, a busca, não do outro, mas de si, da tranquilidade espiritual, da paz do coração.
É uma espiritualidade centrada no próprio ego. De outro, uma espiritualidade política, voltada à promoção da justiça e da paz, comprometida com a ética e com a proteção do meio ambiente.
Ateísmo versus religiosidade - quem tem razão? Por pascoalnaib
Hoje em dia o que mais se comenta é num novo embate Ciência vs Religião e observamos isso pelos mais variados títulos principalmente de ateístas com livros entre os mais vendidos. Aqui vale até uma reflexão sobre esse fenômeno: existe só essas duas linhas de embate? Vivemos num maniqueísmo pós-moderno dos que crêem e dos que não crêem? São as duas classes tão firmemente estruturadas para chegarmos nessa conclusão?
Bem, sinceramente não me enquadro nesses dois extremos e por vezes acho muito danoso tal tipo de atitude. Acredito que o radicalismo tanto religioso como cético apenas aprofundam os problemas e fecham diversas portas para o diálogo e para a superação de equívocos de ambas as partes.
Observamos que o uso da Bíblia ou de qualquer outro livro sagrado pode se adaptar a qualquer estilo, ou seja, posso realizar grandes obras de caridade mediante a “palavra” como podem ser efetuados os mais vis massacres.
É interessante que
“Não lhe agrada que um não-mulçumano leia o Corão e refira-se a esta ou aquela surata para dizer-lhe que ele tem razão quando são selecionados os versículos que o confortam, mas que há textos nesse mesmo livro que dão razão ao combatente armado cingido pela faixa verde dos seguidores da causa, ao terrorista do Hezbollah carregado de explosivos”.
Mais na frente ele complementa sobre esse assunto:
“O mesmo livro justifica, no entanto, esses dois homens que avançam nos antípodas da humanidade: um pende para a santidade, os outros realizam a barbárie”.
É possível a religião contribuir com um mundo melhor?
Hoje alguns céticos condenam a religião como um mal a ser eliminado, não vêem contribuição nenhuma para sua existência, mas será que isso não é radicalidade demais? Já muitos segmentos fundamentalistas da religião se fecham em seu mundo de sonhos e loucuras e acham que tudo fora dos livros sagrados deve ser combatido.
Esse é um tema interessante de se abordar.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Deus é POP - Revista Época - Nelito Fernandes
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O mercado do cristianismo - Por Márcio Salgues
Domingo é dia de marketing e proselitismo. Só em uma avenida próxima de onde moro há doze igrejas, entre católicas e evangélicas nas suas mais diversas ramificações, eu mesmo contei. Em outra das maiores avenidas do Recife há uma quantidade ainda maior de templos cristãos.As faixas de pedestres se tornaram num palco ao ar livre a cada sinal vermelho, onde crianças carentes que fazem malabarismos com pedaços de cabos de vassouras - as mais experientes acendem as pontas desses paus fazendo as manobras com tochas - disputam espaço com religiosos imbuídos da tarefa de propagar o cristianismo. Em vários semáforos, duas pessoas estendem faixas com versículos bíblicos ou mensagens apocalípticas diante dos carros parados, enquanto o restante do grupelho segue distribuindo folhetos entre os motoristas e pessoas às janelas dos ônibus.O que não deixa de ser curioso sob a própria ótica cristã... Enquanto uns pedem comida, outros distribuem panfletos e lançam palavras ao vento, deixando de enxergar os mais necessitados bem ali ao seu lado.
A idéia básica é que todos pregam a mesma coisa: a salvação por meio de Jesus Cristo. Mas a prática mostra justamente, que predominam, em qualquer situação, as mesmas regras do neoliberalismo e da livre concorrência de mercado - no caso, o mercado de almas e contribuintes em potencial. Para tanto, qualquer diferencial é válido a fim de maximizar os benefícios oferecidos e minimizar as deficiências. Afinal, para que tantas denominações diferentes a poucos metros de distância se todos pregam a mesma coisa e tem o mesmo objetivo teoricamente?
Em um certo ponto existem três igrejas diferentes vizinhas. O "cliente-alma perdida" passa na frente, verifica as ofertas que variam de "loja" para "loja" - da simples hóstia aos mais mirabolantes milagres - é convidado a entrar, como numa grande feira livre, e seduzido - quando não induzido - a filiar-se àquela instituição. Algo como você entrar numa loja e o vendedor tentar lhe vender o produto a todo custo.
O mundo seria muito melhor se não houvessem surgido as tantas religiões, clamando ser portadoras da verdade, que temos hoje, e fosse regido tão somente pela razão e por uma ética universal. É lógico que isso é um delírio assim como a "Utopia" de Thomas Morus, pois o homem se diversifica culturalmente de forma constante. No livro "Deus e os homens", Voltaire, um dos maiores expoentes do iluminismo francês, nos diz que não houve idéia melhor que pudesse por um freio aos homens a fim de julgar seus sentimentos mais ocultos, do que a idéia de um deus que pune ou recompensa a cada indivíduo conforme seus atos.
Religião é lucro espiritual? - Por Maurício Gomes Angelo
Nas diferentes alas em que elas se dividem e em seus respectivos mundos, encontra-se de tudo: poses sisudas, conservadorismo excessivo, teses e orientações risíveis – sexo é para reprodução, como prazer é pecado; quem se sente atraído por coisas “mundanas” (encare isso como tudo que você puder imaginar) é porque está de caso com o demônio; proibição do uso da camisinha; trajes sociais obrigatórios; em alguns casos, depilação e corte de cabelo são proibidos (imaginem as conseqüências escatológicas de tal bizarrice); maquiagem é proibida, carne de porco e café também, sangue...e daí a lista não pára – até as mais moderninhas, com decoração e apelo claramente pop, jovem e aberto a concessões, onde estão os carismáticos católicos e todas as neopentecostais.Em vez de ser local de debates, explanação de idéias, estudo, interação, aprimoramento espiritual e prático, os fiéis e suas igrejas estabeleceram o pacto "inconsciente" da mesma se comportar e agir como uma babá, tal qual a tv, tenho minhas dúvidas sobre qual das duas é a pior.
É mais ou menos assim o contrato: “Eu aceito suas doutrinas, louvo quem você quiser, me curvo a qualquer imagem, oro para o que quer que seja, levo a sério qualquer besteira, te dou meu dinheiro, apoio e faço sua propaganda e em troca você dá um jeito de resolver qualquer problema que eu lhe apresentar e me consola em qualquer vicissitude da minha vidinha fracassada”. Legal não? Quem que comprou quem? Quem se vendeu a quem, a que? Quem está se iludindo? Mas não importa, o espetáculo do crescimento é sinal da aprovação divina, os fins sempre justificam os meios e “estaremos todos juntos no céu”. Você quer ir para esse céu?
Eu não!
Alienação Coletiva - existe? - Por Janos Biro
A forma de transcendência mais condenada por Huxley é a multidão, chamada de alienação coletiva. Enquanto os governos e as igrejas condenam e regulam as drogas e o sexo vulgar, propiciam sempre que possível que dezenas, centenas ou milhares de pessoas se juntem num só lugar como uma massa indistinta. Segundo Huxley, a multidão é a forma mais rápida e simples de autotranscendência. Dentro de uma multidão é possível perder o senso de personalidade, as pessoas tendem a pensar menos em si mesmas e se tornam mais dispostas integrarem-se no grupo, mesmo que de forma negativa: seja chamando a atenção, imitando as ações dos outros, ou juntando-se a qualquer atividade que exija duas ou mais pessoas. Segundo sua análise, cada indivíduo dentro de uma multidão oferece menos defesa contra a persuasão e a manipulação, tornando-se extremamente mais influenciável do que em seu estado normal. O efeito de dividir espaço com milhares de pessoas diferentes é relativamente uma novidade para os seres humanos. O cérebro humano teve pouco tempo para se adaptar a tão extraordinário fenômeno. Ao longo da história, a concentração de grandes números de pessoas tem sido usada para atingir objetivos políticos, geralmente perniciosos, tendo como grande exemplo os discursos nazistas e fascistas. Junte-se a uma multidão alguns alteradores de consciência químicos, música rítmica em alto volume e o que você tem é um grande palco para hipnose. Um propagandista ao microfone, nestas situações, tem dez vezes mais chances de convencer o público do que falando com cada um individualmente. Um argumento fraco, ou mesmo falho, torna-se aceitável com apenas algumas repetições em público. Com cada vez menos oportunidades de desenvolver sua personalidade e menos tempo para a “solidão construtiva”, necessária no desenvolvimento de uma consciência holística, as pessoas são levadas a buscar formas baratas e rápidas de isolamento temporário, voltando-se cada vez mais para a transcendência descendente. Conclusão: Ao trocar a metafísica da era religiosa pelo positivismo da era moderna, a sociedade não abandonou a “alienação fantasiosa” ao qual ela se entregara. Na verdade, a necessidade psíquica por “religação com algo divino” se tornou ainda maior, mas os métodos tomaram formas diferentes. Os sucedâneos de transcendência desempenham os mesmos papéis que antigamente nos rituais religiosos, com conseqüências muito mais prejudiciais que a inquisição e as cruzadas: a disseminação da ignorância, o conformismo, o controle social, e uma crescente massificação psicológica.
Barack Obama fala sobre Religião e Secularismo
E mesmo se nós tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, o cristianismo de quem nós ensinaríamos nas escolas? Seria o de James Dobson ou o de Al Sharpton? Que passagens das Escrituras deveriam instruir nossas políticas públicas?
Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável? E que comer frutos do mar é uma abominação? Ou poderíamos escolher Deuteronômio, que sugere apedrejar seu filho se ele se desviar da fé? Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha? Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso próprio Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação.
Nós...
[Discurso interrompido por barulho na igreja. Não dá para discernir se são vaias ou aplausos]
Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia.
O que me trás ao meu segundo ponto: que a democracia exige que aqueles motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais, ao invés de específicos de uma religião. O que eu quero dizer com isso?
Ela [a democracia] requer que as propostas dela estejam sujeitas a discussão e sejam influenciáveis pela razão. Eu posso ser contrário ao aborto por razões religiosas, para tomar um exemplo, mas se eu pretendo aprovar uma lei abolindo a prática, eu não posso simplesmente recorrer aos ensinamentos da minha igreja, ou invocar a vontade divina; eu tenho que explicar por que o aborto viola algum princípio que é acessível a pessoas de todas as fés, incluindo aqueles sem fé alguma.
Agora, isto vai ser difícil para aqueles que acreditam na inerrância da Bíblia, como muitos evangélicos acreditam, mas em uma sociedade pluralista nós não temos escolha. A política depende das nossas habilidades de persuadir uns aos outros de objetivos comuns com base em uma realidade comum. Ela envolve negociação, a arte do que é possível.
E, em algum nível fundamental, a religião não permite negociar; é a arte do impossível. Se Deus falou, então espera-se que os seguidores vivam de acordo com os éditos de Deus, a despeito das conseqüências. Agora, basear a vida de uma pessoa em compromissos tão inegociáveis pode ser sublime, mas basear nossas decisões políticas em tais compromissos seria algo perigoso.
E se você duvida disso, deixe-me dar um exemplo. Nós todos conhecemos a história de Abraão e Isaac. Abraão foi ordenado por Deus a sacrificar seu único filho. Sem discutir ele leva Isaac montanha acima, até o topo, e o amarra ao altar. Levanta a sua faca. Prepara-se para agir... como Deus ordenara. Agora, nós sabemos que as coisas deram certo; Deus envia um anjo para interceder bem no último minuto. Abraão passa no teste de devoção de Deus.
Mas é justo dizer que se qualquer um de nós, ao sair dessa igreja, visse Abraão no telhado de um prédio levantando sua faca, nós iríamos, no mínimo, chamar a polícia. E esperaríamos que o Departamento de Serviço às Crianças e à Família tirasse a guarda de Isaac de Abraão.
[Risos]
Nós faríamos isso porque nós não ouvimos o que Abraão ouve, nós não vemos o que Abraão vê. Então, o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquela coisa que todos nós vemos, e que todos nós ouvimos. A jurisprudência é bom senso básico.
Então, nós temos algum trabalho para fazer aqui, mas eu tenho esperanças que nós podemos transpor o hiato que existe e superar os preconceitos que todos nós, em maior ou menor grau, trazemos a este debate. E eu tenho fé que milhões de americanos crentes querem que isso aconteça. Não importa o quão religiosos eles possam ser, ou não ser, as pessoas estão cansadas de ver a fé ser utilizada como ferramenta de ataque.
[Aplausos]
Elas não querem que a fé seja usada para diminuir ou para dividir porque no fim não é dessa forma que elas vêem a fé nas suas próprias vidas."
domingo, 12 de julho de 2009
Qual a idéia mais perigosa da religião?

A religião é uma das forças mais potentes em questões humanas. Inspirou alguns dos momentos mais sublimes da história, mas também alguns de seus mais bárbaros.
A Inquisição, explosões de clínicas de aborto, ataques suicidas no Iraque - tudo isso tem raízes em alguma forma de ideologia religiosa.
Com isso em mente, fizemos a mesma pergunta a cinco pensadores religiosos de diferentes crenças: qual é a idéia mais perigosa na religião hoje? Seus comentários foram editados por questões de brevidade e clareza.
Violência em nome de Deus - Richard Land
"Concordo com o papa João Paulo II, que disse que há um santuário sagrado da alma para cada homem e mulher. Nenhum outro ser humano tem o direito de interferir coercivamente com esse santuário sagrado da alma. A idéia mais perigosa na religião é a idéia que a força coerciva, violenta, é permissível em nome de Deus - qualquer Deus."
"Você vê isso no islamismo radical. Observe que eu disse radical, não islamismo apenas. A maior parte das pessoas morrerá se essa idéia se espalhar. Ajudará a envenenar o poço do debate e discussão sobre questões que as pessoas discordam. É corrosiva ao discurso público dizer que, se você discordar de mim, vou matar você. Faz erodir a liberdade de expressão, a assembléia e a adoração."
Richard Land é presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. Ele foi selecionado pela revista Times em 2005 como um dos 25 evangélicos mais influentes nos EUA
Siga as regras ou... - Wayne Dyer
"Carl Jung (autor e psicanalista) tinha uma frase. A paráfrase é: o principal problema da religião organizada é que o propósito da religião organizada é impedir as pessoas de terem a experiência direta de Deus. A religião é organizada em torno do princípio que a religião dará a experiência direta de Deus a você, desde que você se torne membro, siga as regras e contribua financeiramente."
"A coisa mais importante que um ser humano pode reconhecer é que já está conectado a Deus, e essa conexão não é algo que se pode entregar a outra pessoa ou organização. Uma das verdades do mundo físico é que você é como aquilo do que você veio. Se você se pergunta como é uma torta de maçã, é como a maçã de onde veio".
Wayne Dyer é um dos palestrantes de auto-ajuda mais populares do país. Ele é autor de 29 livros e apareceu freqüentemente em especiais da PBS
Minha religião está certa - Rabino Harold Kushner
"Há uma noção que diz que, para eu estar certo, todo mundo que discorda de mim está errado. Ela torna a cooperação entre religiões mais difícil. Se eu acredito nisso, tenho que acreditar que a religião dos outros não presta, é inválida."
"Você tem que entender que a religião não é sobre receber informações sobre Deus. Religião é sobre comunidade. O propósito primário não é nos levar ao céu, mas nos colocar em contato com as outras pessoas. Posso ter feroz lealdade a minha família sem denegrir a família dos outros. Posso ter feroz lealdade a minha religião sem denegrir a religião dos outros. Da mesma forma, meu vizinho pode dizer que sua esposa é a mulher mais maravilhosa do mundo. Posso tomar isso como declaração de amor, não como fato."
O rabino Harold Kushner é um dos pensadores judeus mais famosos do país. Ele é conhecido por seu livro campeão de vendas "Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas"
Converter outros para sua religião - Dr. Abdullahi Ahmed Na-Na'im
"Não acreditaria em uma religião, se não acreditasse que é melhor que as outras. A noção de superioridade e exclusividade é inerente à crença religiosa. Pode ser perigosa ou não."
"A idéia de trabalho missionário é muito carregada e perigosa, porque freqüentemente envolve simplesmente apresentar crenças para alguém aceitar ou rejeitar. Sempre está baseada em poder. Os que têm a capacidade de proselitismo são mais poderosos. Têm os recursos para estabelecer escolas, hospitais. O trabalho missionário não é neutro. Tem base no poder. Você não encontra muçulmanos saindo para fazer proselitismo nos EUA. Mas você encontra americanos indo para todo tipo de país muçulmano."
Dr. Abdullahi Ahmed Na-Na'im é acadêmico internacionalmente reconhecido do islã e de direitos humanos. Ele é professor da Universidade de Emory
Uma visão tribal de Deus - Deepak Chopra
"A idéia mais perigosa é: meu Deus é o único Deus verdadeiro e minha religião é a única verdadeira. Leva a brigas, divisões, terrorismo, preconceito, racismo e banhos de sangue."
"As noções religiosas são programadas em nossa consciência em uma idade muito tenra. Achamos que são verdade. É muito difícil deixar essa condição, mesmo diante do raciocínio intelectual, por causa do aprisionamento emocional a nossa condição. Lutamos com emoções quando nossas crenças são ameaçadas."
"Estamos em um ponto crítico em nossa evolução. Estamos começando a tomar consciência. Sabemos muito sobre a natureza. Temos uma boa idéia sobre o início do universo. Compreendemos em alguma extensão as leis da física, química e biologia. Ainda assim, para a vasta maioria das pessoas, apesar de termos telefones celulares e podermos fabricar bombas atômicas, nossa evolução psicológica e espiritual está em um nível muito tribal."
Deepak Chopra é diretor e co-fundador do Centro Chopra de Bem Estar em Carlsbad, Califórnia. Ele é autor e palestrante famoso por integrar a medicina Ocidental com tradições de cura natural do Oriente
Karl Marx e a religião: ópio do povo?

“Não se pode dizer que, para Marx, a religião é simples invenção de sacerdotes falsários ou de dominadores. É a manifestação da humanidade sofredora em busca de consolo. É ópio pra o povo, um calmante para as massas que sofrem a miséria produzida pela exploração econômica. Mas os exploradores burgueses também precisam de religião”.
É interessante notar que Marx via a religião não como algo primordial a ser combatido, pois ela apenas era um reflexo do que realmente estava acontecendo. A religião poderia servir como aroma tranqüilizador para muitas consciências e narcótico ou ópio para um consolo inútil, ou seja, independente da classe social, ela estaria sempre presente na vida das pessoas. O que deveria se combater então?
“Para Marx, a religião aliena o homem. A alienação religiosa deve ser esclarecida a partir da situação histórico-social concreta. Mas a religião é a expressão da alienação do homem e não seu fundamento. Antes, é o resultado. A essência da alienação do homem encontra-se no contexto econômico, no tipo de relações de produção geradas pelo mundo capitalista. Aí há duas classes sociais: os proprietários dos meios de produção e os não proprietários. Destruindo essa estrutura econômica também se destrói a religião que é seu produto. São as estruturas econômicas que, segundo Marx, geram a falsa consciência, que é a religião”.
“Marx conclui que, sendo a religião reflexo espiritual da miséria real do homem numa sociedade opressora, a superação da religião não se dará só pela crítica intelectual. De nada serviria privar o povo do ópio e não mudar nada”.
Como deu para perceber, o termo “alienação” vai muito além do que conhecemos hoje em dia, como em frases tipo: esse cara é alienado, ou sem rumo. É um termo que quer dizer que a pessoa foi privada de seus direitos fundamentais, passando a ser considerada um objeto, algo a ser usado. Ora, a alienação religiosa funda-se, segundo Marx, na alienação econômica. Por isso não há necessidade, teoricamente, de combatê-la, pois ninguém sentirá sua falta, isso tudo segundo a sua vontade que houvesse uma revolução, onde o homem assumiria ele mesmo a transformação social. Mas, isso já é uma outra história, aqui vale somente a orientação de como Marx observava a religião, e como ateu, muitos pensavam até que ele fosse mais radical nesse quesito, mas por incrível que pareça seus ideais tinham como baluarte ou suporte apenas a igualdade entre os homens!
Entre aspas retirado do Livro Filosofia da Religão de Urbano Zilles.
